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Archive for March, 2010


Há frases que nos instigam a refletir e são imutáveis, definitivas nas lições que apresentam. Quem não as evoca vez por outra? “Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia”, de Shakespeare; “Tu te tornas eternamente responsável por tudo aquilo que cativas”, de Saint Exupéry, e assim vai… Há quem as colecione até a partir de pára-choque de caminhão, porque, vamos reconhecer, algumas, embora hilárias, são repletas de sabedoria.

 Mas tem aquelas, que a gente ouve não sabe aonde, grava não sabe por que razão, e que parece que vão habitar pra sempre a nossa mente até que a gente pensa que as esqueceu.  Bobagem, pensou na coisa, não tem mais jeito: dançou! É como a música horrorosa que a vizinha canta todos os dias e que, assim de repente, sem querer, você se vê repetindo, como uma…huuuum…maldição! Tudo bem que não é o caso, mas a coisa não sai mais da sua cabeça… Gruda e pronto.

 Pois é, comigo, isso aconteceu quando uma amiga querida, ao se defrontar, tempos atrás, com a possibilidade de uma reaproximação com o ex, saiu com essa: “Como jogar comida fora, quando há tanta gente passando fome?” Achei graça com a comparação, ri muito por um tempo enorme, mas hoje, uns bons anos depois, me vi pensando nessa história quando uma outra amiga, igualmente importante pra mim, me ofereceu um emprego que parecia desafiador.

 Há um ano não trabalho formalmente, devoto meu tempo a pequenas grandes coisinhas pessoais, como cuidar de filhos, marido, sobrinhos. Viajar, ler, costurar, bordar e cozinhar, deliciosos ofícios de um tempo que parecia mais remoto que a era dos dinossauros, voltaram ao ar, como seriados absolutamente cults em reprise por tempo limitado. Como abdicar dessas “licenças poéticas” do meu “novo viver” e voltar à loucura de tentar se equilibrar na corda bamba, com todo o stress que vem na carona?

 Bom, foi pensando na resposta certa a esse convite de trabalho, que me vi lembrando do tal prato de comida. A conclusão a que cheguei pode não ser definitiva, mas, neste momento, estou convencida de que ponho a mesa sintonizada com as minhas necessidades e a dos que estão ao meu redor. Se houver um prato extra, ele pode até ser devorado, mas algo, sem dúvida, vai ser desperdiçado, porque o equilíbrio me ronda e não dá pra abusar do alimento sem engordar.

 E mais: Como não quero excessos, em respeito aos homens e ao Planeta, entendo que a solução talvez seja repassar o prato apetitoso que me ofereceram. Dói um pouco, porque meu olhar ainda está meio enturvado pelo consumismo, pelo medo do futuro, pela insegurança do agora. Mas o fato é que sou uma pessoa de fé, capaz de repartir o todo, e não apenas as sobras. Sei que há alguém preparado pelo universo para degustar essa receita e se inspirar para preparar uma ainda melhor.

 É isso o que esse emprego novo tem pra me dizer agora. Mais importante do que o trabalho em si é o convite de quem o fez. Alguém que ajuda, confia, compartilha. E por isso mesmo alguém que vai encontrar o profissional certo para voar junto nesta empreitada, que acredito, sinceramente, estar fadada ao sucesso, levando água e bons ventos pra irrigar essas abençoadas sementes de oportunidade. Como o vinhedo no caminho do viajante, que aponta para um vinho novo e de qualidade… 

(Fotos Fernando Moura – Ao alto, A Roda da Vida – Oficina d’Agosto – Tiradentes – MG -2010. Acima, Vinhedos – França -2007) 

 

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