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Archive for April, 2010


O conceito de que nosso planeta nada mais é do que uma grande aldeia é tão natural hoje em dia, que não lembramos que essa realidade foi profetizada por um mago da comunicação meio século atrás. Só mesmo um visionário como o sociólogo canadense Marshall McLuhan para prever um avanço tão substancial nas relações globais…

Sem celulares e sem Internet, ele conseguiu entender, nos anos 60, que uma espantosa revolução estava próxima. Mas isso, é bem verdade, não sem um ar de desconfiança dos seus céticos estudiosos, ainda despreparados para a compreensão sobre as transformações sociais, políticas e econômicas que estavam por vir.

Justiça seja feita à genialidade de McLuhan. Afinal, hoje vivemos em um mundo interligado, em que basta um click para que a mágica das novas tecnologias esteja ao nosso dispor, estreitando distâncias, aproximando as mais remotas regiões, promovendo a informação e o conhecimento, unindo pessoas.

Essa teia surpreendente, que se formou aos poucos, ao longo de muitas décadas, e hoje é tão evidente, tem uma razão maior e emergencial, que vejo como sendo a formação de uma consciência planetária. O pensamento, a palavra, as ações há muito já não estão isolados, pairando eficientes por sobre todas as coisas.

Estamos todos interligados, é fato. Mas torna-se fundamental não se isolar como reação a essa teia que nos captura, muitas vezes de forma incondicional. Mais que nunca, a solidão, a impessoalidade e o egoísmo são um paradoxo da sociedade, criado pela informalidade e pela inconsistência das novas relações.

Cabe a cada um se sobrepor aos meandros dessas maravilhosas tecnologias, buscando não abrir mão do contato pessoal, da força de um abraço, do sábio conhecimento que advém do olho no olho, das alegrias e dores de uma viagem real. Tudo o que tocamos tem uma história, que se modifica com nossa presença…

Nossa bela aldeia precisa de nós. A essência das relações é eminentemente pessoal e não prescinde de solidariedade. Mais que nunca, o poder de transformação está ao nosso dispor para promover o desenvolvimento sustentável do planeta e a harmonia entre os homens, lutas que precisam se transformar no ideal comum de todos os povos. Com urgência!

(Fotos Fernando Moura – Representações da paz no planeta – Beijing -2008)

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Um dos problemas daqueles que veem o hodômetro passar dos 50 é que as exigências que a vida traz não podem mais ser postergadas. Assim é com o perdão, as paixões, os afetos e, é claro, os exercícios… Ah, os abençoados exercícios! E assim, o que antes era um prazer, um hobby ou mesmo um esporte, passa a ser obrigação, remédio do tipo que a gente tapa o nariz e engole, em nome da saúde e da boa forma.

Resolvi encarar as caminhadas diárias como questão de vida ou morte, e, por isso mesmo, assunto emergencial. Prioridade máxima! Faça chuva ou faça sol, lá estou eu, de tênis e roupa folgadinha, acelerando o passo ao ritmo de um mantra que eu mesma criei: “Eu posso, eu quero, eu consigo!”. Sei lá pra que isso serve, mas tem dado certo, e minhas manhãs têm aparentado uma nova luz, que pode muito bem ter vindo do propósito de conquistar o bem-estar.

Todo dia a ferrugem acumulada pelos anos de sedentarismo se desgruda um pouquinho do corpo e a mente acaba ficando mais leve, junto com o espírito que parece pronto pra voar. Não emagreci, não fiquei mais isso ou menos aquilo, mas estou muuuuuuuuuuuuito bem-humorada. Não tem coisa melhor que redescobrir o potencial físico em sintonia com um emocional melhor preparado pra enfrentar a vida.

Parece que agora o cheiro do vento chega antes que as árvores sacudam as folhas e isso é um presente excepcional da natureza para quem resolve se regalar com um olhar generoso sobre o caminho escolhido. Em geral, às sete da manhã já estou dando voltas pelo lago da Universidade Federal de Juiz de Fora, obra prima da sensibilidade do meu velho professor de História da Arte, Arthur Arcuri, autor do projeto original do Campus, que vi ser implantado, passo a passo.

Andar na passarela em volta da antiga Biblioteca Central traz uma emoção especial. Há muitos projetos em desenvolvimento lá e a visão das obras nos dá uma ideia promissora de futuro. E nunca vi as plantas tão exuberantes, dando a impressão de plenitude, felicidade mesmo. Acho que, de alguma forma, elas sentem a presença dos estudantes, dos funcionários e professores que se misturam aos caminhantes, numa espécie de abraço à comunidade.

Fazer meus exercícios no Campus, assim como minhas orações e meditações, tem sido de muita valia pra mim. Traz à tona lembranças de um tempo conturbado, nos anos 70, de rebeldia e movimentação estudantil, mas traz também uma certeza de que tudo que se faz com dedicação, confiando plenamente, vale a pena e floresce em agradecimento.

As plantinhas em torno do lago e ao redor dos institutos que o digam. Já as vi tristes e impotentes, depois de incendiadas nos anos 90; enxerguei os esforços dos jardineiros para recuperá-las, e, hoje, são um espetáculo inspirador para quem tem uma percepção mais aberta e bem sintonizada. Resumindo, andar por ali faz a gente encarar os exercícios como um prazer que parecia perdido e que pode muito bem ser visto como um privilégio, um delicioso brinde à saúde do corpo e da mente!

(Fotos Katia Dias – Campus UFJF – Minas Gerais – Brasil – 2010)

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