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Archive for June, 2010


Por incrível que pareça, o simples ato de caminhar todos os dias tem me colocado um passo à frente de mim mesma. Novos atalhos para a felicidade se descortinam de forma inesperada, a partir de um olhar que se renova em uma percepção mais aguçada de tudo e de todos ao meu redor. É como se um véu fosse retirado da vista e uma janela diferente se abrisse para ver, de fato, o que antes estava ali, mas não era observado.

Foi assim que me deparei com um grupo de indivíduos muito especiais, que mora na área preservada da Mata do Krambeck, hoje o Jardim Botânico da UFJF, um oásis verde às margens do Paraibuna, rio que serpenteia por Juiz de Fora teimando em exibir suas águas barrentas. Vez por outra, tal como eu, esse grupo escolhe deixar seu refúgio para conhecer novas paragens. E o encontro com forasteiros acontece.

A princípio eram só manchas marrons camufladas na beira do rio. Depois, foram ganhando contorno até se revelarem capivaras adultas a cuidar da prole com o carinho de famílias humanas preocupadas em manter atados os laços da união em uma sociedade que pena com a desagregação. Foi lindo de se observar. Com olhos para enxergar um pouco além, vi ali uma grande lição.


Paradas nas margens do Paraibuna, estavam 13 criaturas, contemplando as águas que pareciam profundas demais para serem desafiadas. Vez por outra, uma se aventurava a mergulhar o focinho e voltava lenta, como se fosse um grande esforço desistir da façanha. Busquei a máquina fotográfica para capturar aquele momento, mas me vi desprevenida e pensando se alguém iria acreditar no meu relato.

Voltei para casa com um riso silencioso na alma. Havia ganhado o dia. Contei para todo mundo de forma tão entusiasmada que meu bom amigo Renato Dias, escritor e jornalista querido por todos, acabou me presenteando com uma foto da cena. Um conhecido dele registrou o mesmo quadro que me comoveu, e ele, gentilmente, enviou a foto para mim. Uma perfeita sintonia de interesses!

Senhoras e senhores, apresento aqui uma das muitas famílias de capivaras que vivem bem no coração de Juiz de Fora, se regalando com o capim que cresce na beira do rio, sempre que o sol aparece. Uma prova e tanto de que a Mata do Krambeck deve ser conservada. E fico muito feliz em saber que a Universidade Federal de Juiz de Fora pode abraçar essa bela causa, que eu defendo de corpo e alma. Viva!

Ao alto, fotos de Katia Dias – Rio Paraibuna – 2010 e, acima, foto das Capivaras via Renato Dias/ Divulgação

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