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Archive for April, 2011

Do que cabe no coração


(Foto Internet)

Beijos são, por si, poesias… Dos apaixonados, entre amantes, aos assoprados a afetos distantes, são todos dignos de menção. Beijos vêm quase sempre da alma, ou melhor, do coração. Ou não. Porque tem aqueles sem entrega, sem emoção… Mas esses, ahhhh, esses não são beijos, não!  São simplesmente, – pobrezinhos -,  manifestações da obrigação.

Beijos de cara virada, dispenso! São superficiais vestimentas da cordialidade. Mas não daquela verdadeira, que aproxima, enreda, seduz… Beijos, de fato, são a justiça vermelha do peito queimando pela estranheza de uma inexplicável sensação. São estalinhos do espírito ou  brasas assanhadas, fugindo da fogueira acesa, ou adormecida (quem sabe), de um coração…

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Ordinary people


* Em resposta ao post  “Sem tribo?”

(Foto abrigada no site br.viarural.com)

Ao “desconhecido” que habita minhas manhãs no Campus, e as ilumina com uma luzinha aqui e um clarão acolá, segue aqui uma certeza estranha para aqueles que não se encaixam sequer na tribo dos sem tribo:

somos todos tão iguais em nossas carências e tão únicos em nossas diferenças, que só tem um jeito de comparar: a tribo dos humanos é como a tribo das árvores. De longe, a floresta, com todos os seus exemplares, é uma massa homogênea, que, de pertinho (mas só sob as lentes de um interesse sincero), revela os tons que a cobrem, as formas que a definem, a utilidade que oferece.

A beleza está nos detalhes, que nunca se repetem, nem mesmo na tribo das pessoas/árvores. Nem naquela “clonadas” para formar as florestas de “eucaliptos”, que parecem querer ganhar o mundo, porque estão em todo lugar e parecem ser solução para tudo… São tão “iguais” que nos confundem, nos deixam perdidos, sem direção. De pertinho, porém, são como nós: em uma cresceu um galho a mais, uma folha a menos, serviu de casa para determinado inseto, vergou sob a força de um vento atravessado, se enrolou no exemplar mais próximo, mostrou as raízes, verdejou mais cedo que o esperado, se regalou com um fiapo de luz inesperado.

Consegui me fazer entender? E, de repente, na pessoa/árvore nasce uma flor, aquela que encanta, trazida sabe-se lá pelo bico de qual beija-flor… E assim caminha a humanidade: igual, mas peculiar. Diferente, mas a mesma… E quando a gente acha um diferente que é igual a gente… Ah, que bom, é gente, não é? Gente como a gente…

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Cada folha que cai prenuncia a renovação necessária da vida
Folhas de Maple (extraído do blog joaquimdocarmo.wordpress.com)

 Querida Malu,

Lindo delírio o seu!

Também amo o outono, tão tímido, tão delicado e tão indefinido em sua missão, mais que especial, de reformar a natureza, prepará-la para os rigores invernais da vida (os mesmos que cederão, um dia, em prol das alegrias de uma tarde morna de verão).

Sabe,  sempre achei que as estações do ano são como as pessoas: Temos todas elas em nós, às vezes em um mesmo dia, dependendo do humor, do rumor, do amor,  ou seja lá do que for…

Tem tempos em que me surpreendo assim: Acordo primavera, crio tempestades em meu verão pessoal para, em seguida, me recolher no outono, de fato. Deixo as folhas mortas caírem, porque sei que para abraçar o novo é preciso sacudir tudo.

No final das contas, reunindo todas as estações que sou, é hora de acalentar a esperança e reunir energia para tirar a poeira, descascar a ferrugem e, finalmente, alcançar a leveza necessária para dançar sob a chuva e tentar pegar o vento.

Em vão…

E é quando o inverno entra…

Verão!

*Para saber mais sobre Malu é só acessar www.abbsinto.blogspot.com

 

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Sem tribo?


*Por Ilustre Desconhecido

O paraíso na fronteira entre Espírito Santo e Bahia

Foto Katia Dias - Cumuruxatiba - BA/ES - Brasil - 2009

  Tenho ouvido com frequência expressões de insatisfação de pessoas que acreditam não pertencer a qualquer “tribo”. Eu mesmo, várias vezes, expressei genuinamente esse sentimento em inúmeras ocasiões com pessoas que também assim se sentiam. Talvez a intimidade com esse sentir e a surpresa em descobri-lo muito mais frequente entre as pessoas do que imaginava tenham me levado a refletir mais detidamente sobre o assunto.

O que sobreveio dessas reflexões foi a compreensão de que parece haver uma espécie de miopia acometendo pelo menos algumas dessas pessoas – quase sempre altamente inteligentes e articuladas. A queixa costuma ser a concepção de si próprio como alguém isolado numa comunidade que, a princípio, não parece partilhar dos mesmos valores. Olha-se o outro como fundamentalmente diferente de si e, com bastante frequência, a partir de uma posição de superioridade, seja intelectual ou outra qualquer.

Não quero aqui acusar as pessoas que guardam consigo um sentimento de inadequação ou desajustamento (palavra carregada, mas para a qual não consegui substituta) de se sentirem superiores. Acho que muita especulação poderia ser feita com respeito a uma possível relação entre esses sentimentos, mas não tenho essa intenção aqui. De qualquer modo, quando sugiro que possa haver uma certa miopia com relação à situação é devido a um fato muito comum: essas pessoas costumam estar de algum modo associadas, muitas vezes são amigas e conhecem outras pessoas que também partilham do mesmo sentimento.

Então sobrevém a pergunta: porque essas pessoas se sentem assim? Certamente existem inúmeros motivos que expliquem esse sentir, mas gostaria de sugerir que se reflita sobre a inevitabilidade de uma justificativa para isso. Penso, em primeiro lugar, que o desejo de fazer parte de uma “tribo” é tão visceral no ser humano como a expressão de uma certa ingenuidade. Mais uma vez, muita especulação pode – e costuma – ser feita sobre o papel e a importância de nossos “instintos sociais”. Mas a experiência parece demonstrar que é ilusório sentir-se seguro por estar abrigado sob o manto de um suposto consenso.

Dessa forma, gostaria de deixar como alvo de reflexão o seguinte pensamento:

Considerando que nosso sentido de identidade não é uma realidade “natural” e imutável, mas sim uma construção sobre a qual temos amplo poder, creio que todos deveríamos nos compreender como membros de uma grande e única “tribo”: o gênero humano. Como decorrência dessa compreensão, possivelmente ficará mais fácil abrirmos nossos olhos e enxergarmos para além dos sinais distintivos das supostas diferenças essenciais que muitos de nós creem vincular esse ou aquele indivíduo, incluindo nós mesmos, a essa ou aquela “tribo”, frequentemente interpretando essas já interpretadas diferenças como motivo de hostilidade e oposição a priori.

Antes de finalizar esse texto, gostaria de fazer uma sugestão bem mais direta e prática para todos nós que nos sentimos “sem tribo”:

Convidemos todas as pessoas que se sentem como nós para tomar uma cerveja, dar uma passada na sua casa e tomar um café, ou simplesmente pegar um cinema e dar uma caminhada depois. Se possível, com algum decoro, perguntemos a elas sobre o que pensam, o que sentem e sobre o que e quem lhes importa. Talvez seja possível descobrirmos que há mais em comum entre nós do que este sentimento tão triste e desnecessário de estarmos sozinhos em um mundo onde o que não falta é gente como a gente.

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Aprendizagem


Da destruição pode vir a reconstrução que tornará o ser completo

A vida é um caminho de desconstruções e construções, em que nos transformamos ou nos reciclamos a partir dele. O que não é permitido é emperrar os mecanismos de reconstrução quando a destruição se faz presente e necessária. É como evoluímos… É como crescemos…

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