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Archive for May, 2011


Foto abrigada em gerar-esperança.zip.net

Desconfio que nas lágrimas que vertem do amor sincero e incondicional, aquele que a tudo perdoa, há um remédio secreto para dores que nem se imagina. Na verdade, suponho que todo milagre parte, obrigatoriamente, do sentimento que faz os olhos transbordarem, no exato momento em que descompassa o coração. Espreito as que vêm de longe, das entranhas do ser, e aprendo que essas devem ser acolhidas (ou seria recolhidas?) com certo temor, pois que se vindas de um desgosto trazem um veneno que tanto cura quanto mata, feito os perigos da paixão.

 Hoje sei que nenhuma lágrima é em vão. Nem mesmo a dos caprichosos, dos fúteis ou dos desalmados. Toda ela tem sua razão. É como chuva na janela, cujo percurso delineia figuras que, acaso consigam atenção, se revelam sem pudor. E como os olhos costumam ser a janela da alma, julgo que embora rápidas e por vezes isoladas e discretas, trazem em si o poder devastador de um aguaceiro. Aí, vai um conselho: previna-se contra aquelas que estão contidas, aprisionadas, pois se resolvem se libertar ganham a força dos turbilhões de uma represa rompida. Nada mais feroz do que lágrimas desgovernadas.

Do pranto, do choro, do lamento todos já sabem ou, no tempo certo, virão a saber… Mas que entendam que da alegria, da felicidade, da esperança e da satisfação vertem o mesmo milagre, o dessas “enigmáticas” gotas de purificação. È quando abrimos a alma para a lavação. Por isso, quem tem lágrimas a brotar, que sejam as do amor, as da beleza, as da contemplação. São essas as que nos colocam em sintonia com o que somos de fato, seres líquidos. Como a maior parte da superfície de nosso planeta, vertemos água e com nossas lágrimas transbordamos a vida que agita em nosso interior.

*A meu amigo Ricardo, que hoje me fez transbordar

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Guangzou/China/2011/Internet

Querida Beth, bom dia!
 
Nessa Juiz de Fora que insiste em ostentar um fog londrino,  amanhecendo a 14 graus e com uma atmosfera que parece ser de encomenda para a sexta-feira, 13, o entendimento geral era de que o Sol a nos iluminar seria você, direto da China! Já estava contando as horas para o fim de tarde anunciado para o Encontro das Meninas, que não acontece há “séculos”, e que tanta falta nos faz.
 
Quer saber? De verdade? Sem você o Sofá das Gatinhas anda vazio, chocho, sem viço, meio esgarçado, talvez porque a falta de uma amiga  frustre a todas, que afiam as unhas no tecido em que foram enredadas desde o dia em que se conheceram, misturando vivências, numa espécie de teia de experiências que a todas aproxima de forma tão especial.
 
Assim, por favor, volte logo, e quando chegar, seja qual for o dia (já que não será hoje), me ligue para tomar um chá lá em casa, ou, quem sabe, no cantinho de uma moça muito legal, a Patrícia, que deu uma reviravolta na vida abrindo um lugar de delícias chamado Bolo de Panela, ali, na Rua Floriano Peixoto, logo acima da Rua Santo Antônio.
 
É importante contar, nem que seja em confidência, as histórias, as crenças e os segredos que resguardamos, em recatados recantos do coração. E ainda dar espaço às besteiras sem sentido (ou não) que às vezes nos acomete quando estamos todas juntas. Prometo deixar as tesouras em casa, que, agora sei, são para outras costuras… Mas levo agulha e linha para cozer pequenos rasgos, e novelo caso alguém queira se (des)enrolar.

Bom, minha querida, é isso. Espero que tenha chegado inteira a Sampa e esteja recuperada do jet leg, que, sabemos bem, acaba com a resistência de qualquer um. Ninguém merece os efeitos de um giro sem descanso pelo planeta, 36 horas de viagem, com direito a escalas, traslados e tudo o que tira o encanto do Voo (o literal, principalmente se for econômico). Mesmo que Guangzou seja logo ali, no cantão (rsrsrs…)

Essa viagem da China é quase uma provação, ou melhor, a prova da ação que nos alimenta: os amores fortes, as paixões viscerais, as compreensíveis (ou não) ligações à família, aos amigos e a essa terra Brasilis, que poderia ser o paraíso não fosse por nós mesmos, os brasileiros… Mas, que seja! Somos jovens. Erramos, aprendemos, evoluímos… para acertar de vez! Nem que seja no tempo reservado aos nossos netos…
 
Todo o carinho,
bjs
da Katia

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Aconchego em vermelho
Foto Lia Costa Carvalho – 2006/Internet

Quando abri os olhos e senti o peito apertado, doído sem razão, hesitei em abandonar o aconchego das cobertas. Maio, o mês das indefinições tropicais neste mar de montanhas em que vivo, trouxe cerração pesada, mas deixou entrever o sol que viria para agradecer o vento soprando um céu destinado a se abrir in blue, no exato tom de minha alma nesta manhã de segunda-feira.

 Café à mesa mineira, de frutas, queijos, geleia, torradas e bolo montanhês no melhor estilo Vegan, a obediente louça de beirinha dourada deixou o armário às seis da manhã. Tudo pronto pra o desjejum no ninho, foi a vez de revirar os presentes do Dia das Mães e descobrir, feliz, o look perfeito para iniciar bem a semana: carmim. Dos pés à cabeça? Claro, como pressupunha o dia…

O portão eletrônico do edifício emperrou, atrasou minha subida ao Campus, e, em frente à Reitoria da UFJF, ao parar para pedestres atravessando a faixa, senti meu carro ser batido por trás. Olhando em volta, parecia que os problemas iriam se avolumar. Mais um motivo para manter a calma. Inevitáveis tempestades emocionais se formando, busquei o irrefutável argumento interior de que tudo acontece por alguma razão.

 O desaponto da batida não foi meu. Era um bofetão na face da boa educação e da civilidade que costumam pontuar o caráter de cidadãos bem intencionados. Ainda assim, o fato de que ninguém se machucara, me deu tranquilidade para abdicar do conserto que o motorista de trás certamente me devia. Depois de uma boa conversa, ele, exatamente como eu, reconhecia os sinais de que viver requer atenção, sempre.

 Poderia ter permanecido sob as cobertas quentinhas esta manhã. Mas saí para o mundo, entendi os sinais e me recolhi nas orações de agradecimento. Reconheci que, de alguma forma, fui um instrumento de alerta para todos os que aceleram seus carros e ignoram o coração, como se o pedestre não pudesse ser o tesouro de alguém ou se o outro carro, por ser menos veloz ou ostensivo, não merecesse sequer as regras da lei.

Felizmente, meu dia in blue se tornou carmim apenas no que tange aos elementos superficiais e a delicadas referências ao necessário amor pelo outro. O vermelho sangue se manteve no lugar certo, obedecendo ao ritmo apropriado do coração sobressaltado. A ordem das coisas não se alterou e percebi que, mesmo quando se vislumbra o caos, sinais de que a ordem se restabelece a seu próprio tempo, sempre.

 No final das contas, o que me vem à mente é que a vida me deu a chance de pintar um quadro, primeiro me oferecendo o azuloutrora raro pigmento para a composição de grandes mestres como Da Vinci, e caprichou ao me indicar o carmim, tão raro quanto, pois que vem da cochonilha, inseto que muito não as caras à indústria. Que o diga o velho rouge

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