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Archive for July, 2011

C’est la vie


M.C. Escher - Sky and Water I - 1938 - woodcut

Ao querido Mauro Morais, que achou por bem conversar comigo sobre  o envelhecer,  arte esta que requer consciência e sabedoria, o que, confesso, ainda não detenho, apesar de todos os esforços para tal. Mas aí vai o que penso:

 Sobre a ação do tempo sobre o homem são muitas as questões nesta nossa sociedade ocidental, que cultua a juventude como seu bem mais precioso. Se a maturidade traz o poder da experiência, traz também, a reboque, o fardo de perdas e lutas que marcam o espírito e nos fazem deixar escapar a ternura necessária para manter o otimismo (Che Guevara, em sua revolucionária sabedoria, já nos alertava sobre isso nos anos 1960).

 Do ponto de vista físico é a decadência do corpo se projetando, impiedosa (e não há cirurgia plástica que reverta, de fato, o relógio) em confronto com a mente que batalha dia após dia para se acostumar com as limitações que chegam, inevitáveis. O organismo sofre as consequências naturais do ciclo da vida, perfeito, mas cruel diante da pretensão do homem em querer sempre mais um dia de plenitude, um novo amanhecer.

O medo de envelhecer é tão forte, que se traduz em mitos como os do Santo Graal, da Fonte da Juventude, do Shangri-lá e até no da Terra do Nunca. A verdade, porém, é que à percepção de novas rugas, expressão do tempo que passa, a alma sofre, mesmo que as veja como cicatrizes deixadas por uma guerra vitoriosa contra a morte, esse inimigo que só é vencido pela memória, e só por ela. O resto é poesia e mistério…

E tic tac… (C’est la vie)

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