Feeds:
Posts
Comments

Archive for November, 2011

Que venha o verão!


Foto Internet abrigada no site clube.atrativa.com.br

     Às vezes, sinto imensamente não poder ajudar àqueles que, num mudo apelo por socorro, recorrem a mim. Nem sempre compreendo prontamente que tudo o que possam querer seja um colo, um ombro amigo para depositar dúvidas, mágoas, experiências difíceis. Talvez, minha ignorância em não reconhecer, de imediato, esses pedidos sem voz se deva ao fato de que eu mesma, vez por outra, sofro com os gritos do meu próprio silêncio. Sabe, esperamos muito dos outros, como se o amor que nos dedicam devesse ser o milagre do socorro oportuno. Há um tempo em que bastam Band-Aids e beijinhos, mas há aquele instante da encruzilhada em que mesmo os mais sábios confundem os caminhos e erram na direção a indicar. Titubeiam. Talvez haja em nossos corações uma bússola capaz de nos indicar um Norte real, sem as interferências circunstanciais que nos desorientam, mesmo que momentaneamente. É o desconhecido se abrindo à aprendizagem fundamental, às nossas próprias expensas. Há sempre o momento de pagar o preço, mesmo que os bolsos estejam vazios. Essa é uma conta do coração e não adianta ser repassada. Não há fiadores.

    Ontem foi assim, estava desnorteada. Ando desse jeito, desde o dia em que meus óculos ficaram para trás. Estou enxergando mal não apenas literalmente, mas metaforicamente também. Coincidentemente, subir a Serra reforçou as limitações do meu olhar para a vida, do meu caminhar, das minhas idas e vindas e vi que já não acompanho mais os que estão ao meu lado. Estou cansada, mas sei que não posso desistir, e por isso vou em frente. Aqueles que me são caros são minha motivação. Sei da ioga, da oração, da medicina e dos remédios que vêm de dentro. Mas muito além, intuo que harmonia é uma conquista, não uma imposição. Respiro fundo e, por hoje, me contento com o caos, aquele que, no fundo, é apenas o olho do furacão. Se falho em conseguir manter o equilíbrio no ninho, fundamental para que esteja inteira e pronta para cuidar das asas – as minhas próprias e as de quem tanto amo, penso nas sementes que plantei e pressinto bons ventos, céu claro, nada mais de tempestades de ocasião. É o sol chegando de novo no rastro da nova estação. 

Read Full Post »

Eclipses


Exemplar da flora típica do Parque Estadual de Ibitipoca – MG (Foto Fernando Silva – 2011)

Não sou do Sol, não sou da Lua. Não sou do dia nem da noite. Algumas vezes penso que sou um eclipse, o forçoso ponto de encontro entre reis e mendigos, sábios e ignorantes, tudo e nada. O bem e o mal me sondam e não me assusto. Sou o intervalo, a pausa no estabelecido. Não me rendo ao (pré)conceito de todas as coisas e as investigo antes de formar opinião. Ainda assim, me equivoco. Aprendo com os erros. Minha gangorra balança para o abismo. Não tenho medo, tampouco coragem, só bravura. Já caí, ralei, rolei e aqui estou, de pé. Sigo aos tropeços. Quem me vê inteira sobre o salto não sabe a dor da caminhada. Mas não me rendo, apenas sigo. Persisto.

Como Sísifo, ainda carrego uma pedra morro acima, mas me recuso a rolar a mesma, dia após dia. Troco de pedra e penso no que posso construir com ela. Já tenho uma montanha delas e vejo, no espaço entre uma e outra, surgir uma plantinha rara, beldade ímpar em sua resistência. Quem acha que seu nascimento veio do nada, não a viu em batalha contra a aridez. A lacuna entre as coisas tem maravilhas ocultas ao olhar viciado pelo convencional. Nas montanhas de minha alma, retiro as ervas daninhas para que não atrapalhem as orquídeas, mas morro de pena daquelas pobrezinhas, porque só o que vejo é a luta pela sobrevivência e, de repente, um mudo pedido de perdão.

Read Full Post »