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Archive for April, 2012

Moon days


*Internet illustration of sun and moon in a yin yang symbol-night versus day opposition

*Internet illustration of sun and moon in a yin yang symbol-night versus day opposition

Ah, as segundas-feiras… essas moon days, mondays, dias de noites com lua mesmo depois do amanhecer… Já pensaram que a cultura germânica, lá nos  primórdios que geraram a língua inglesa, pode ter tido esse belo insight por entender que depois de seus sun days, sundays, a noite iria se impor até pela vaidade de obscurecer o sol do descanso, da alegria, dos cultos e das celebrações do dia anterior?
Afinal, é hoje que, de fato, começamos a nova semana, dando início ao que já estava em andamento… Vida que segue…  Sol que vai, lua que vem num ritmo inalterável, mesmo que os olhos não o alcancem. Temos que lembrar das muitas nuvens caprichosas que querem seu lugar em cena e se alojam, às vezes cinzentas, carregadas de água e energia, outras vezes trazendo desenhos fofos e macios a incitar a imaginação…

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*Imagem abrigada em suavedevaneio.blogspot.com referente a obra de Neneca Barbosa

Querido amigo, se bem me lembro, tempos atrás você me perguntou sobre escolas, indagando se faria diferença, na educação de uma criança, um colégio regido por normas religiosas. Na verdade, sempre agi muito intuitivamente, sem me preocupar com o que certo estabelecimento representava historicamente ou em termos de perspectiva, para mim ou para meus queridos filhos e sobrinhos, talvez porque eu tenha vindo de uma formação “patchwork”, pulando entre instituições públicas e particulares ao sabor do que se apresentava como oportunidade  em determinado momento…

Assim, para tecer minha colcha de retalhos educacional, precisei começar de alguma forma e a primeira coisa que me reservaram foi uma vaga, aos 5 anos, na escolinha informal do bairro onde nasci, Linhares, na Zona Leste de Juiz de Fora, onde estava instalada não apenas a Penitenciária Estadual, destinada a presos políticos à época da ditadura militar, mas também a antiga Febem, que acolhia menores infratores. Ou seja, nenhuma família, em sã consciência, deixaria a filha caçula aos cuidados pouco ortodoxos de uma professorinha provinciana, enquanto os outros filhos frequentavam o Instituto Granbery, por onde passaram personalidades como o presidente  da República, Itamar Franco. Fez diferença para mim? Nenhuma!

Pois bem, com base na minha experiência tão plural, acabei entrando aos 6 anos para a Escola Municipal Dilermando Costa Cruz, sendo encaminhada por minha professora de lá, Dona Mariana, para a Escola Normal (hoje Instituto de Educação). Depois, aos 9 anos, fiz um concurso que incluía teste de QI na seleção, permitindo que entrasse para o Colégio de Aplicação João XXIII da Faculdade de Filosofia e Letras da UFJF, que foi, definitivamente, um tempo que mereceu sofridas reflexões no diário de uma pré-adolescente.

Quando saí de lá, tentei um grito de liberdade pessoal e segui para o Machado Sobrinho, excelente instituição, para o Colégio São José (atual Vianna Júnior), até chegar ao Jesuítas, que foi meu paraíso terrestre, e, finalmente, passar no vestibular da UFJF, onde fiquei o tempo suficiente para garantir minha independência.  O curso de Comunicação Social, fiz em tempo recorde, acumulando estágio de cinco horas diárias como jornalista. Sobrevivi, certo? E nunca foram feitas concessões a meu favor. Tive que me virar. E os lugares onde estive não definiram a pessoa humana ou a profissional que me tornei. 

Com isso, acho que a essência é sempre o que prevalece, não importa se você está em Harvard, na Sorbonne, em Oxford ou na UFJF. Somos o que somos e a “culpa” não é da escola, dos pais, do ambiente, da religião. Mesmo a história mais triste pode ser reveladora de um grande ser capaz de transcender o sistema e surpreender. Por pensar assim, não me importei de colocar meus filhos em uma escola então desconhecida, o Cantinho Feliz, que lhe rendeu uma experiência no mínimo generosa. De lá, foram para o Degraus de Ensino, que “engatinhava”,  e seguiram para a Academia de Comércio, que amaram mesmo sendo uma instituição católica, de orientação verbita. Ainda que ateia na ocasião, vê-los em aulas de religião jamais feriu meus princípios. Sabia que eram sensíveis e inteligentes o bastante para separar o joio do trigo. Confiei na semeadura e colhi exatamente o que esperava. 

No final das contas, querido amigo, seja lá qual a colcha que fazemos, ela é só nossa e reflete a habilidade que temos em costurar os retalhos que nos ofertam e fiar o nosso próprio tecido quando a oportunidade aparece. Amo essa manta que fiz, porque ela é bela, fofinha e útil, me aquecendo quando algo ou alguém sopra ventos gelados sobre mim.  De quando em quando, ouço um sussurro aqui, outro ali, sobre como meu cobertor poderia ter sido mais bem preparado. Vejo os desgastes inevitáveis na peça geral e me ponho a cerzir os pontos fracos. Remendos?  Nada mais lindo e autêntico numa colcha de retalhos. Afinal, cada recorte é um pedaço de mim, memórias que retenho no coração.


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Poeira ao vento


Foto abrigada em luf3.blogspot.com

Foto abrigada em luf3.blogspot.com

 Perder alguém é sempre uma dor sem medida, ímpar em suas implicações, sangue no vazio que se abre na alma de quem fica. Quando a perda vem de uma escolha, pelo afastamento necessário após um desgaste percebido, a dor chega, sim, mas com argumentos, abrindo um embate cujo principal instrumento é a razão. Nessa luta em particular, o peso é o bem que um distanciamento pode gerar em contraponto ao mal que as constantes farpas vêm a causar. Porém, a ruptura sem escolha, que a morte impõe de forma implacável, traz o peso do inexorável, o que não tem alegação senão a de que somos efêmeros e estamos longe de ser os donos de nossos destinos.

É nessa hora, de perdas inflexíveis como a de minha sobrinha Lara e dos amigos Nelma Fróes e Robson Terra, que se aflora a poética da banda Kansas, a sugerir que tudo o que somos não passa de grãos de areia (poeira) soprados ao vento. “All we are is dust in the wind”. Perder quem amamos é tomar consciência de nossa finitude e se abrir às reflexões que fogem diante da luta nossa de cada dia, por menos extraordinária que seja.

É essa dor que deveria nos fazer melhores, mais gentis, menos orgulhosos, braços abertos para o abraço espontâneo no reconhecimento de que o outro, a seu lado ou não, é um irmão e merece um sorriso sincero, o acolhimento que talvez nos seja necessário ao dobrar a esquina, ali, do outro lado…

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Van Gogh - A noite estrelada

Van Gogh, A noite estrelada

Querido amigo, bom dia!

Como foi seu Domingo de Páscoa?  O gosto do chocolate foi suficiente para adoçar o coração sofrido com a distância dos familiares tão amados? Pois é… que bom que a bela moça que se esquiva da Gerais lhe fez companhia e tenham conseguido dividir tão boas ideias sobre alternativas para preencher o tempo, a cabeça e o bolso… E que ótimo que ambos conservem energia suficiente para dar cabo de novas tarefas ao final de um dia de trabalho. E viva a juventude! Viva mesmo! Sei que minhas velhas tias, do alto de seus setentas e oitentas ainda conservam o ânimo para cuidar da casa, de si e dos novelos que transformam em mil tramas surpreendentes, mas confesso que ler e escrever ainda são minha profissão e minha terapia, consumindo todo o meu tempo que não é dedicado à família, aos amigos, ao trabalho e aos pequenos prazeres, como assistir a um filme, alimentar o blog, visitar o Facebook, comprar uma plantinha, assar um bolo, pintar as unhas, coisas assim…

Depois que desligamos o telefone no domingo, fiquei pensando que velas aromáticas, sabonetes com formatos variados, sachês para perfumar gavetas, cartões bem bolados (nessa você iria arrasar!), porta-retratos, caixinhas de presente, bijuterias e produção de incensos estão entre as oportunidades que se abrem a quem procura por renda extra. Sei que são opções que vêm sendo exaustivamente exploradas por pessoinhas que não estão empregadas formalmente, mas nada impede que se faça algo original dentro das propostas que estão por aí, nas lojas e nos quintais da vida… Mas penso que, talvez, aulas particulares sejam excelente possibilidade para alguém com seu conhecimento. Quem sabe poderia preparar alunos para o vestibular ou mesmo dar algum tipo de reforço para estudantes de primeiro e segundo graus? E quanto ao inglês? Poderia fazer como meu filhote, buscando espaço em escolas como Wizard, Wise Up, Cambridge, Brasil-Estados Unidos, CCAA, Cultura Inglesa ou até mesmo aqui na UFJF.

Bom, essas são histórias a serem amadurecidas, porque carecem de investimento real, mesmo que mínimo, não apenas de dinheiro, mas de tempo e esforço pessoal… Então, querido moço, que os anjos o inspirem, levando até você as bênçãos da criatividade e da persistência necessárias a qualquer iniciativa que pretenda ter vida longa e profícua. Meu desejo é que dê tudo certo e você encontre os caminhos que procura para ser feliz e próspero. Quanto a mim, mesmo que não esteja conseguindo fazer textos infantis, vou exercitando as pequenas fábulas que me aparecem nas manhãs tantas vezes alvissareiras da Pró-reitoria de Cultura. Meu conselho é: vá em frente, menino! Você foi feito para brilhar, e estou certa que, lá no alto, quando a noite parece tudo escurecer, existem estrelas olhando para baixo intrigadas com a luzinha que veem quando acham você!

Uma ótima semana!

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Com um nome nada usual , Se é um porco-espinho. Gentil, carinhoso e sem a menor noção de seu poder de embate, Se adora um aconchego. Porém, quase ninguém se aproxima dele, tamanho o medo de acabar espetado.  Vamos que, sem querer, Se fique empolgado e resolva abraçar alguém… Vamos que, sem pensar, um colega deixe de lado o receio dos estranhos “pelos” que o envolvem e resolva se achegar… Tapinha nas costas, brincadeira inocente e tão frequente entre companheiros, nem pensar. Se até que tem sido esforçado, tentando manter uma amizade aqui outra ali. Mas quer saber a verdade? Parece que desistiu. Foram tantos os transtornos e incidentes, que os vizinhos e os poucos amigos que fez em sua infância acabaram colocando um fim na relação. Com isso, o coitadinho passou a pensar que, neste mundo de amizades sem futuro, só lhe restava solidão. Entretanto, uma pergunta nunca saía de seu coração: “Mas, e se…?” Questão não dita, resposta não formulada.

Por tudo isso, Se abafou sua alma fraterna e buscou exílio nas matas que teimam em sobreviver. Durante o dia, o jovem porco-espinho descansa no topo das árvores e faz de troncos ocos esconderijos que o mantêm distante da possibilidade de ferir alguém. Se, agora adolescente, é um especialista em solitude, mas não quer viver assim para sempre. Todos os dias, encontra um velho pensamento que insiste em repassar por sua cabecinha: “Mas, e se…”, para, em seguida, engolir o sentimento inquietante, voltando a ficar concentrado na árdua tarefa de acompanhar o movimento das noites na floresta. A busca de sementes, frutos e cascas para sua nutrição não pode esperar: começa no crepúsculo e expira na aurora.  Se é um sobrevivente.  Seu único temor é encontrar um bicho que lhe devolva a esperança de uma amizade sincera e acabe massacrando-o com uma chuva de espinhos involuntária. E ele pensa outra vez: “Mas, e se…” Não, isso nem pensar!

Perto de virar adulto, Se já enfrenta seu destino com resignação. Foram muitas estações se acostumando consigo mesmo.  Ouvira uma vez, já nem se lembra quando, que jaguatiricas e outros grandes felinos poderiam resgatá-lo da solidão. Eram animais fortes, que nada temiam. Com essa ponta de esperança, Se armou sua alma de coragem e adicionou a mensagem “Procurar feras” em sua peregrinação noturna. Até que encarasse os novos e destemidos habitantes das matas, começou a treinar o lançamento de farpas a distância. Sua vocação guerreira, porém, era nula e seus espinhos pareciam ter vontade própria, projetada em ocasiões imprevisíveis. Se estava quase desistindo quando ouviu o rugido da  pintada. Arrepiado só com o som feroz, lá se foi todo um arsenal de farpas disparadas aleatoriamente. E foi então que pensou: “Mas, e se… for melhor assim?” Pela primeira vez, Se deu voz à grande interrogação de sua vida, convencido de que despido de suas lanças naturais teria, enfim, uma abordagem amigável.

Se de um lado, jaguatirica de outro, teve início o que tinha tudo para ser uma amizade ideal. Forças equivalentes se emparelhavam sem o véu de um confronto. Se, radiante, aproximou-se sem reservas, mas o que viu foi o desafio brilhando nos olhos de um oponente. Farpas deixadas ao léu, o porco-espinho lançou ao felino a súplica da sonhada aliança. Em troca, porém, reconheceu os movimentos de um ataque iminente. Um arrepio correu seu corpo indefeso e Se viu a morte. Não apenas a sua, mas a de seu grande sonho de ter companhia. Foi quando, da vegetação que envolvia a clareira dividida por vítima e algoz, surgiu o inusitado. Sem acreditar na cópia de si à sua frente, Se viu espinhos voando direto para o predador. Atingida no focinho, a onça ganhava barba e bigode de vibrissas, as armas do porco-espinho. Longe da pintada, que fugiu veloz noite adentro, dois amigos estavam, enfim, prontos a se conhecer. O reflexo da lua na clareira inundava mais além. Dois corações batiam sem medo de se ferir. E sem que surgisse o pensamento: “Mas, e se…” Nunca mais! 

*Fotos Internet

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Sou Hanna, a aranha, não confunda nunca com Ana, a ariranha. Ao contrário dessa aí, um mamífero feioso que se movimenta feroz e desajeitado entre a terra e a água, sou abençoada com a elegância dos aracnídeos, temidos e invejados até pelos bichos-homens. Já ouvi dizer que de tão admiradas, inspiramos os donos do planeta, que sonham com nossas habilidades e as recriam em híbridos imaginários. Penso que foi assim que a agilidade, a destreza e a força de meus genes acabaram no corpo de um humano, que com todas essas qualidades foi transformado em super-herói.

Como todas as outras de minha espécie, tenho oito patinhas, subo e desço com facilidade, voo nas transparências de meus fios. Entretanto, o que gosto mesmo é de ficar nos cantinhos ou entre uma árvore e outra, à espreita de seres desavisados, insetos que, encantados pelo brilho de minhas teias, visitam meu lar sem saber que, presos para sempre, serão parte de minha despensa, meu alimento, minha sobrevivência. Esta é minha maior habilidade: construir armadilhas sedosas, milimetricamente calculadas, com desenhos belos e precisos, que a natureza aplaude como uma de suas maravilhas.

Sou, de fato, uma tecelã. Fui projetada para produzir uma seda tão impressionante, que chega a ser cinco vezes mais forte que o aço orgulhosamente criado pelos humanos. Estranhamente, porém, não consigo mais fazer o que faço de melhor, os fios, e por isso, breve estarei sem casa. Sem meu lar, deixo de ser a predadora para me transformar na caça, e estou tremendo diante dessa ameaça. O medo que paralisava minhas vítimas é agora o mal que congela minhas esperanças. Sou jovem, e reproduzir deveria ser meu destino. O que faço com meus ovos?

A teia elástica e resistente, que me abriga há meses, já começa a dar sinais de que se deteriora. Foi o sol em demasia, a água em abundância, ou teriam sido ambos? Nenhum dos dois, receio eu, que não encontro razões que justifiquem os erros em meu tear. Repenso a trajetória de meu último trabalho, movo meu abdome protuberante da mesma forma que fiz antes, mas nenhuma seda é fiada. O que aconteceu? Perto de mim, Ana, a ariranha, em sua simplória solidez, continua seus mergulhos no poço barrento, sem se preocupar com meu fino tear.  Nesse momento, em que vislumbro meu infortúnio, como gostaria de experimentar sua sorte! Trocaria minha elegância natural pela grotesca força desse mamífero que sempre depreciei.

Estou perto do fim. A teia se dissolve na proporção de meu desabrigo. O desenho perfeito de antes agora se projeta para o nada, levado em linhas separadas pelo vento. No vazio, forma-se um balé de teias desfeitas, fios que vêm e que vão, coreografia final que agora, perplexa, percebo ser de muitas irmãs, desconhecidas até que a dança se delineasse. Ao meu lado, a trouxa de ovos que julguei infecunda se rompe e centenas de aranhinhas, miniaturas perfeitas de mim mesma se projetam alvissareiras por todos os lados. É o espetáculo das fiandeiras que anuncia boas novas de uma geração que irrompe para desenhar, mais uma vez, o tempo certo de todas as coisas, o ciclo divino da natureza em ação. Diante desse balé, pela última vez me levanto e pela primeira vez aplaudo: Bravo!

*Foto de Landito hospedada em espacomythos.com.br 

 

 

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