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Archive for the ‘cartas a …’ Category

Da inquietude


Tanzhe Temple, China, 2008. Foto de Fernando Moura

Com o Sol firme lá no alto e meu coração pronto para absorvê-lo em sua essência, a de trazer luz e calor, começo o dia numa oração em que rogo por sabedoria para a condução de meu tempo, só levando boas coisas àqueles que estão ao meu redor.  Em minhas intenções matinais, já vieram um rol de ações que me prometi realizar, e entre elas está a de voltar a caminhar (literal e metaforicamente), e, com isso, a de retomar minhas meditações, cuja função, a de serenar a mente, se faz mais que oportuna (não apenas agora, mas sempre)…

Pensei muito em seu e-mail de hoje e o momento em que você fala em crescimento ilimitado me fez refletir sobre um detalhe fundamental: o único lugar em que isso é realmente possível é dentro de nós. João Pessoa, Juiz de Fora, Brasília ou Porto Alegre são importantes na medida de suas ambições mais particulares, aquelas que têm a ver com a razão e os sentimentos, bem dosadas para o encontro da felicidade possível, a do momento.

Talvez por ter lido Santo Agostinho em suas Confissões, e estar sob a influência de seus escritos, me dei conta do tempo como algo sujeito ao relógio dos fatos que nos marcam e apenas isso. Assim, não importa onde estamos, mas sim o que fazemos e para quem. Seu agora parece ser voltado para si mesmo, até para uma descoberta real acerca de seus desejos, que num primeiro instante parecem ser muitos, mas que, certamente, tem a Chave Mestra, aquela que abre todos os caminhos.

Não é fácil escrever à altura de suas palavras, que são o transbordamento de suas inquietações. Quisera eu ter as respostas, o conselho certo, a solução; mas, ao contrário, me vem à cabeça retrucar com uma pergunta que só você, do fundo da sua alma, saberá dizer, e talvez não agora, mas depois do mergulho profundo e corajoso a que se lançou nesses últimos tempos e que se iniciou, quem sabe, lá atrás, menino ainda sem entender as atenções divididas com os irmãos.

Mas quem sou eu, não é mesmo, para tentar entender a complexidade do outro se, como você, continuo a procura de mim mesma ainda sem encontrar? Pode ser que a vida dos que se aventuram em busca do autoconhecimento seja exatamente essa: perguntar e perguntar, mil vezes, até que venha a iluminação. E disso acho que a psicóloga Norma Nasser e seu grupo de meditação estão a par, e como!

Bj no seu inquieto coração,

Katia

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*Imagem abrigada em suavedevaneio.blogspot.com referente a obra de Neneca Barbosa

Querido amigo, se bem me lembro, tempos atrás você me perguntou sobre escolas, indagando se faria diferença, na educação de uma criança, um colégio regido por normas religiosas. Na verdade, sempre agi muito intuitivamente, sem me preocupar com o que certo estabelecimento representava historicamente ou em termos de perspectiva, para mim ou para meus queridos filhos e sobrinhos, talvez porque eu tenha vindo de uma formação “patchwork”, pulando entre instituições públicas e particulares ao sabor do que se apresentava como oportunidade  em determinado momento…

Assim, para tecer minha colcha de retalhos educacional, precisei começar de alguma forma e a primeira coisa que me reservaram foi uma vaga, aos 5 anos, na escolinha informal do bairro onde nasci, Linhares, na Zona Leste de Juiz de Fora, onde estava instalada não apenas a Penitenciária Estadual, destinada a presos políticos à época da ditadura militar, mas também a antiga Febem, que acolhia menores infratores. Ou seja, nenhuma família, em sã consciência, deixaria a filha caçula aos cuidados pouco ortodoxos de uma professorinha provinciana, enquanto os outros filhos frequentavam o Instituto Granbery, por onde passaram personalidades como o presidente  da República, Itamar Franco. Fez diferença para mim? Nenhuma!

Pois bem, com base na minha experiência tão plural, acabei entrando aos 6 anos para a Escola Municipal Dilermando Costa Cruz, sendo encaminhada por minha professora de lá, Dona Mariana, para a Escola Normal (hoje Instituto de Educação). Depois, aos 9 anos, fiz um concurso que incluía teste de QI na seleção, permitindo que entrasse para o Colégio de Aplicação João XXIII da Faculdade de Filosofia e Letras da UFJF, que foi, definitivamente, um tempo que mereceu sofridas reflexões no diário de uma pré-adolescente.

Quando saí de lá, tentei um grito de liberdade pessoal e segui para o Machado Sobrinho, excelente instituição, para o Colégio São José (atual Vianna Júnior), até chegar ao Jesuítas, que foi meu paraíso terrestre, e, finalmente, passar no vestibular da UFJF, onde fiquei o tempo suficiente para garantir minha independência.  O curso de Comunicação Social, fiz em tempo recorde, acumulando estágio de cinco horas diárias como jornalista. Sobrevivi, certo? E nunca foram feitas concessões a meu favor. Tive que me virar. E os lugares onde estive não definiram a pessoa humana ou a profissional que me tornei. 

Com isso, acho que a essência é sempre o que prevalece, não importa se você está em Harvard, na Sorbonne, em Oxford ou na UFJF. Somos o que somos e a “culpa” não é da escola, dos pais, do ambiente, da religião. Mesmo a história mais triste pode ser reveladora de um grande ser capaz de transcender o sistema e surpreender. Por pensar assim, não me importei de colocar meus filhos em uma escola então desconhecida, o Cantinho Feliz, que lhe rendeu uma experiência no mínimo generosa. De lá, foram para o Degraus de Ensino, que “engatinhava”,  e seguiram para a Academia de Comércio, que amaram mesmo sendo uma instituição católica, de orientação verbita. Ainda que ateia na ocasião, vê-los em aulas de religião jamais feriu meus princípios. Sabia que eram sensíveis e inteligentes o bastante para separar o joio do trigo. Confiei na semeadura e colhi exatamente o que esperava. 

No final das contas, querido amigo, seja lá qual a colcha que fazemos, ela é só nossa e reflete a habilidade que temos em costurar os retalhos que nos ofertam e fiar o nosso próprio tecido quando a oportunidade aparece. Amo essa manta que fiz, porque ela é bela, fofinha e útil, me aquecendo quando algo ou alguém sopra ventos gelados sobre mim.  De quando em quando, ouço um sussurro aqui, outro ali, sobre como meu cobertor poderia ter sido mais bem preparado. Vejo os desgastes inevitáveis na peça geral e me ponho a cerzir os pontos fracos. Remendos?  Nada mais lindo e autêntico numa colcha de retalhos. Afinal, cada recorte é um pedaço de mim, memórias que retenho no coração.


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Van Gogh - A noite estrelada

Van Gogh, A noite estrelada

Querido amigo, bom dia!

Como foi seu Domingo de Páscoa?  O gosto do chocolate foi suficiente para adoçar o coração sofrido com a distância dos familiares tão amados? Pois é… que bom que a bela moça que se esquiva da Gerais lhe fez companhia e tenham conseguido dividir tão boas ideias sobre alternativas para preencher o tempo, a cabeça e o bolso… E que ótimo que ambos conservem energia suficiente para dar cabo de novas tarefas ao final de um dia de trabalho. E viva a juventude! Viva mesmo! Sei que minhas velhas tias, do alto de seus setentas e oitentas ainda conservam o ânimo para cuidar da casa, de si e dos novelos que transformam em mil tramas surpreendentes, mas confesso que ler e escrever ainda são minha profissão e minha terapia, consumindo todo o meu tempo que não é dedicado à família, aos amigos, ao trabalho e aos pequenos prazeres, como assistir a um filme, alimentar o blog, visitar o Facebook, comprar uma plantinha, assar um bolo, pintar as unhas, coisas assim…

Depois que desligamos o telefone no domingo, fiquei pensando que velas aromáticas, sabonetes com formatos variados, sachês para perfumar gavetas, cartões bem bolados (nessa você iria arrasar!), porta-retratos, caixinhas de presente, bijuterias e produção de incensos estão entre as oportunidades que se abrem a quem procura por renda extra. Sei que são opções que vêm sendo exaustivamente exploradas por pessoinhas que não estão empregadas formalmente, mas nada impede que se faça algo original dentro das propostas que estão por aí, nas lojas e nos quintais da vida… Mas penso que, talvez, aulas particulares sejam excelente possibilidade para alguém com seu conhecimento. Quem sabe poderia preparar alunos para o vestibular ou mesmo dar algum tipo de reforço para estudantes de primeiro e segundo graus? E quanto ao inglês? Poderia fazer como meu filhote, buscando espaço em escolas como Wizard, Wise Up, Cambridge, Brasil-Estados Unidos, CCAA, Cultura Inglesa ou até mesmo aqui na UFJF.

Bom, essas são histórias a serem amadurecidas, porque carecem de investimento real, mesmo que mínimo, não apenas de dinheiro, mas de tempo e esforço pessoal… Então, querido moço, que os anjos o inspirem, levando até você as bênçãos da criatividade e da persistência necessárias a qualquer iniciativa que pretenda ter vida longa e profícua. Meu desejo é que dê tudo certo e você encontre os caminhos que procura para ser feliz e próspero. Quanto a mim, mesmo que não esteja conseguindo fazer textos infantis, vou exercitando as pequenas fábulas que me aparecem nas manhãs tantas vezes alvissareiras da Pró-reitoria de Cultura. Meu conselho é: vá em frente, menino! Você foi feito para brilhar, e estou certa que, lá no alto, quando a noite parece tudo escurecer, existem estrelas olhando para baixo intrigadas com a luzinha que veem quando acham você!

Uma ótima semana!

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De amor e de sombras…


Serra do Ibitipoca - Minas Gerais - Brasil - novembro de 2011 - Fernando Silva

Oi amiga, bom dia!

 Aquiete seu coração, deixe as águas de seu rio interior seguirem o ritmo de suas emoções e expurgue esses pensamentos tão difíceis. Dúvidas, contradições e erros sempre vão existir, pois fazem parte das relações humanas em todas as instâncias, em especial entre os que se amam e, por isso mesmo, se permitem ir além, cometer excessos, equívocos. O que temos a fazer é, mesmo quando expressamos nossas opiniões divergentes, aceitar o outro por inteiro, o que significa compreender, de fato, o significado do que é amar.  

 Entendo que finais de ano trazem sempre uma carga difícil, pesada, porque são uma espécie de soma de todos os nossos feitos, bons e ruins, alguns que gostaríamos de simplesmente apagar, outros que gostaríamos de ter concretizado e não tivemos tempo ou oportunidade para tal. Poucos são os que nada têm a desculpar ou a ser perdoados. Só os santos estão em paz. Os anjos de uns são os demônios de outros. Aqueles dos quais nos ressentimos hoje podem ser a mão que nos erguerá amanhã. Essa é a forma misteriosa que a vida, fora de nosso controle, age.

 É nosso estado de alma que nos faz ver o outro da forma como o vemos. Todos temos nossas diferenças e talvez essas incongruências é que nos aproximem e completem. Não me sinto mal no mundo, talvez porque tente enxergar o melhor que cada um tem, sem deixar que aquilo que exista de diferente ou incômodo tome a forma de um chicote. Claro que ficamos tristes quando vemos algo doloroso que o outro pensa de nós vir à tona. Isso nos abala, nos instiga à reflexão, o que não significa que seja a verdade absoluta, mas o resultado de um olhar sobre nós que, momentaneamente, abdicou da generosidade.

 Estamos às vésperas do Ano Novo, com as emoções à flor da pele, e penso que não existe tempo melhor, mais oportuno, de aprimorar nossos sonhos, reconsiderar os equívocos e retomar o caminho. Teremos outras 365 novas oportunidades de dizer à vida que queremos ser felizes. Por hora, já temos o grande presente de estar vivos, buscando renovar este que é o verdadeiro milagre de nossa existência. Lembre-se que estamos próximos de um novo tempo, que presume renascimento, vida nova. É no que deveríamos nos focar: em renascer como pessoas melhores.

 Há muito tempo ouvi que o silêncio é a oração dos sábios. Deixo de lado essa sabedoria e me arrisco a, mais uma vez, dar minha opinião, mesmo que no final das contas seja só a palavra de alguém que, como pedra no caminho alheio, sabe que será rolada até perder todas as pontas. Sei que são muitas as arestas do material bruto de que sou feita e que ainda vai precisar de muita lapidação para ficar pronto. Inevitavelmente, esse é o trajeto da evolução. Dói, mas não tem como ser diferente…

 Então, seja lá o que se passe em sua alma, conta comigo, sempre!

 

 

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A dança da vida


Foto abrigada em lindadancadoventre.blogspot.com

Querida menina, muita calma nesta e em todas as horas!

   Fique tranquila que a nós chega sempre o que nos é devido. Nossas batalhas são constantes porque lutar é o que é, de fato, viver. Como conhecer a rosa se não espetamos o dedo nos espinhos ao apreciar o roseiral? Como atravessar se não molhamos os pés diante do riacho cujas pedras não nos inspiram confiança? Como aprender se não caímos para levantar em seguida, muitas vezes com o joelho ralado, os cotovelos roxos? São as agruras que nos fortalecem, e mesmo aqueles a quem olhamos por alto, superficialmente, e acreditamos terem uma vida próspera e feliz, têm, em algum momento, suas dores reveladas. Lá no íntimo somos todos iguais… Adoecemos, choramos, nos magoamos, entristecemos. A glória está em amadurecer com as dificuldades e seguir em frente sem perder a esperança, a alegria, oferecendo a mão sempre que for requisitada.

   Viver, querida moça, é um caminho difícil, mas que vale a pena, sempre. Pequenos momentos, um sorriso aqui, uma lágrima ali, o amor uns pelos outros são aquilo que faz a caminhada ficar mais leve. Alguém já disse que “tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Então, vamos levando, não é? Esta foi uma semana delicada para minha família, pois hoje o filhinho do meu sobrinho mais novo, um bebezinho de apenas 20 dias, passou por uma cirurgia, que graças a Deus foi um sucesso. Ainda não posso visitá-lo, mas meu coração está repleto de gratidão pela oportunidade de tê-lo conosco. Mais uma batalha vencida. Vê? Todos enfrentamos nossas lutas e temos que nos fortalecer pela fé, pela confiança, pela entrega e estar preparados para as pedras no caminho, que, de fato, não são poucas… Mas a gente dá conta, certo?

   Fique com Deus, e, mais uma vez, estenda a todos os que estão em seu coração, o meu desejo sincero de paz, amor e alegria, que é tudo que precisamos para chegar à felicidade. Renovo aqui os votos de que estes sejam tempos de ternura ao seu redor. Nenhuma noite é eterna, mesmo que se esteja no Polo Norte (rsrsrsr). Eu já estive lá e sei que também o dia que dura seis meses tem seus reflexos de obscuridade para serem vencidos. Assim, nenhum problema é para sempre. Estamos em movimento e mudamos toda vez que damos um passo à frente ou para o lado… Isso sem falar que há o momento de recuar, voltar atrás para, justamente, seguir a maravilhosa dança que a vida nos oferece. Penso que a vida é um grande baile, mesmo que à meia-noite sejamos forçados a voltar para casa e enfrentar o borralho, os ratinhos e as abóboras… Fazer o quê?

   Acredito em fadas, em Deus, em anjos, em guardiões, no bem, na luz, não importa o nome que se dê a isso… Sei que há aqueles que nos amparam e se aproximam na sintonia de nossas preces, sentimentos e impressões. Atraímos à nossa fiel semelhança. Então, minha querida, que sua alma se rejubile neste tempo de amor e seja o Sol em seu entorno. Somos todos uma espécie de aurora boreal quando queremos vencer a escuridão que, em tantos momentos, insiste em nos visitar. Somos todos uma espécie de lanterna que pode ser acionada com o coração. Creio nisso. Essa é minha oração preferida: brincar de fada, achando que na ponta do meu dedo há um condão especial. O poder de um sorriso, de uma palavra amiga, de um abraço sincero são ações capazes de despertar a divindade que habita as nossas entranhas. Há uma rede ao nosso redor, no melhor estilo Avatar (rsrsrsr). Verdade! Então, alegre-se e viva, pois esse é o melhor presente que podemos ter!

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C’est la vie


M.C. Escher - Sky and Water I - 1938 - woodcut

Ao querido Mauro Morais, que achou por bem conversar comigo sobre  o envelhecer,  arte esta que requer consciência e sabedoria, o que, confesso, ainda não detenho, apesar de todos os esforços para tal. Mas aí vai o que penso:

 Sobre a ação do tempo sobre o homem são muitas as questões nesta nossa sociedade ocidental, que cultua a juventude como seu bem mais precioso. Se a maturidade traz o poder da experiência, traz também, a reboque, o fardo de perdas e lutas que marcam o espírito e nos fazem deixar escapar a ternura necessária para manter o otimismo (Che Guevara, em sua revolucionária sabedoria, já nos alertava sobre isso nos anos 1960).

 Do ponto de vista físico é a decadência do corpo se projetando, impiedosa (e não há cirurgia plástica que reverta, de fato, o relógio) em confronto com a mente que batalha dia após dia para se acostumar com as limitações que chegam, inevitáveis. O organismo sofre as consequências naturais do ciclo da vida, perfeito, mas cruel diante da pretensão do homem em querer sempre mais um dia de plenitude, um novo amanhecer.

O medo de envelhecer é tão forte, que se traduz em mitos como os do Santo Graal, da Fonte da Juventude, do Shangri-lá e até no da Terra do Nunca. A verdade, porém, é que à percepção de novas rugas, expressão do tempo que passa, a alma sofre, mesmo que as veja como cicatrizes deixadas por uma guerra vitoriosa contra a morte, esse inimigo que só é vencido pela memória, e só por ela. O resto é poesia e mistério…

E tic tac… (C’est la vie)

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Guangzou/China/2011/Internet

Querida Beth, bom dia!
 
Nessa Juiz de Fora que insiste em ostentar um fog londrino,  amanhecendo a 14 graus e com uma atmosfera que parece ser de encomenda para a sexta-feira, 13, o entendimento geral era de que o Sol a nos iluminar seria você, direto da China! Já estava contando as horas para o fim de tarde anunciado para o Encontro das Meninas, que não acontece há “séculos”, e que tanta falta nos faz.
 
Quer saber? De verdade? Sem você o Sofá das Gatinhas anda vazio, chocho, sem viço, meio esgarçado, talvez porque a falta de uma amiga  frustre a todas, que afiam as unhas no tecido em que foram enredadas desde o dia em que se conheceram, misturando vivências, numa espécie de teia de experiências que a todas aproxima de forma tão especial.
 
Assim, por favor, volte logo, e quando chegar, seja qual for o dia (já que não será hoje), me ligue para tomar um chá lá em casa, ou, quem sabe, no cantinho de uma moça muito legal, a Patrícia, que deu uma reviravolta na vida abrindo um lugar de delícias chamado Bolo de Panela, ali, na Rua Floriano Peixoto, logo acima da Rua Santo Antônio.
 
É importante contar, nem que seja em confidência, as histórias, as crenças e os segredos que resguardamos, em recatados recantos do coração. E ainda dar espaço às besteiras sem sentido (ou não) que às vezes nos acomete quando estamos todas juntas. Prometo deixar as tesouras em casa, que, agora sei, são para outras costuras… Mas levo agulha e linha para cozer pequenos rasgos, e novelo caso alguém queira se (des)enrolar.

Bom, minha querida, é isso. Espero que tenha chegado inteira a Sampa e esteja recuperada do jet leg, que, sabemos bem, acaba com a resistência de qualquer um. Ninguém merece os efeitos de um giro sem descanso pelo planeta, 36 horas de viagem, com direito a escalas, traslados e tudo o que tira o encanto do Voo (o literal, principalmente se for econômico). Mesmo que Guangzou seja logo ali, no cantão (rsrsrs…)

Essa viagem da China é quase uma provação, ou melhor, a prova da ação que nos alimenta: os amores fortes, as paixões viscerais, as compreensíveis (ou não) ligações à família, aos amigos e a essa terra Brasilis, que poderia ser o paraíso não fosse por nós mesmos, os brasileiros… Mas, que seja! Somos jovens. Erramos, aprendemos, evoluímos… para acertar de vez! Nem que seja no tempo reservado aos nossos netos…
 
Todo o carinho,
bjs
da Katia

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