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Archive for the ‘Um passo à frente’ Category

Delicado enxame


O ato de escrever, que sempre teve o peso de um exorcismo em minha alma inquieta, tem sofrido com o abandono. Certo é que sufoquei meus posts desde o início de 2012, quando deixei de lado as histórias que habitam meu blog para cuidar de outras que julgo serem mais importantes que os frutos de minhas vivências. Estranhamente, porém, meu grito inicial de que a vida é “Simples, sim!”, presente bem no alto desta página, foi percebido além das fronteiras locais, chegando aos ouvidos de 120 blogueiros internacionais, que visitaram, como abelhinhas em busca de flores melíferas, o endereço www.cornii.wordpress.com.

A princípio, pensei que eram meus filhotes, Babi e Gustavo, me pregando uma peça, mas depois vi que tinham mais o que fazer, com as faculdades, os estágios e o amor ocupando o tempo de sua juventude. Excluída essa possibilidade, verifiquei que cada mensagem deixada entre 15 de janeiro e 25 de março corresponde a um link diferente, alguns até pessoais, mas outros de turismo, fotografia, ecologia e espiritualidade. Fui às alturas. Não é que já não voe normalmente, espanando o céu com certa regularidade. Mas o que esperar de um blog deixado às moscas? Foi mesmo surpresa que tivesse havido esse delicioso enxame de interesse. Muito bom, não é? Mas o mérito, acredito mesmo, seja do nosso Brasil, de nossas praias maravilhosas, e de algumas incursões em terras estrangeiras, como Curaçao e Lisboa.

Pois é… até fiquei pensando como isso poderia ter acontecido, já que nada tenho postado e meus escritos estão em português… Aí, entendi que, talvez com a ajuda de tradutores disponíveis na Net, especialmente nosso Santo Google, minha página Bela Aldeia, tão cheia de viagens, conquistou, enfim, a visibilidade que parecia improvável. E, com isso, em minhas veias corre um ânimo novo, que faz ferver o sangue que, neste exato instante, é tinta percorrendo as artérias, se estendendo à pena para gravar, feito tatuagem virtual, um imenso Obrigada! É o inesperado chegando antes que o sonho dobre a esquina…

*A foto acima está hospedada no site joaocamara.olx.com.br

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Foto abrigada em página de Marcelo Miranda

Finalmente o Sol voltou. Na voz da criança lá de dentro, acenderam a luz outra vez. Nada contra as chuvas, afinal as plantinhas agradecem, mas para nós, que precisamos trançar pra cá e pra lá, feito lançadeiras, tudo fica mais difícil. Sem contar que excessos trazem preocupações, prejuízos para quem menos tem, tristezas desnecessárias num momento em que a esperança acaba de renovar o coração. Então… obrigada Sol, obrigada céu! Obrigada, que a casa é sua. Entre, se instale e faça valer a que veio.  Afinal, meu primeiro dia de trabalho em 2012 merecia esse tipo de boas vindas! Temperatura amena no Campus, sorrisos que não via há semanas, cafezinho delícia na copa da Margarida e do Seu João.

Ver de novo o povo caminhando ao redor do lago da UFJF atiçou meu desejo de ir à luta, voltar a caminhar. Uma volta, duas. Mais? Não, por enquanto assim tá bom. Quanto à nuvem atrevida que teima em se estabelecer, melhor ignorar. Bons ventos a levem! É verão, pessoal, e as cores têm que voltar a se mostrar em tintas espalhadas no florido das roupas, no estampado dos jardins. A luz lá no alto brinca com meus pensamentos. Minha palheta está surtida e eu estou surtando para usar e abusar dos vermelhos, amarelos, azuis, verdes, rosas e lilazes. Chega de tons amenos. Que me desculpe a elegância cool que agora impera do outro lado do mundo. É bom que fique longe mesmo, porque aqui é tempo de luz acesa!

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Deixa arder!


Serra do Ibitipoca -2011- Foto Fernando Silva

Segundo dia do ano e aqui estou com um presente inusitado para quem se acostumou a trabalhar domingos e feriados, tendo pesadelos sobre o fechamento da próxima página, o famoso dead line. Ainda sou a mesma jornalista, mas mudei de emprego e  recebi, de quebra, os benefícios de folgar nos finais de semana, emendar as datas festivas, descansar em recessos oficiais. O calendário ganhou os tons de um arco íris especial, que combina com cinema, boa leitura, shows, teatro e pequenas viagens. É… porque nas férias, há sempre uma aventura maior, tipo pé na estrada, no melhor estilo off road, explorando caminhos inusitados, como o de Ponta de Corumbau, Bahia, no último inverno.

 Mas hoje, quando todos voltam às atividades, tenho mais um dia de calmaria, e descanso agradecida, já com um livro novo nas mãos: Room. Finalmente vou conhecer Emma Donoghue, que andei espreitando aqui e ali, depois de vê-la finalista do Man Booker Prize. Acho que tenho uma obra de arte para desvendar e um mundo inteiro para conhecer sob o olhar de uma criança. Admiro quem se transporta para a mente alheia e a perscruta com inteligência e criatividade. Espero um dia chegar lá… Mas, por enquanto, salto de A Ilha sob o Mar, de minha adorada Isabel Allende, para o Quarto desta jovem alemã que encanta a Europa, mas ainda uma desconhecida para mim.

 Então… licencinha! O sofá, hoje, é todo meu. Só o divido com a manta de oncinha, o chocolate quente e a visão cinzenta de minha cidade ainda sob a chuva, que se abre majestosa diante da parede de vidro de minha sala de estar. Valeu!  Só desgrudo daqui por uma boa causa: pode ser o filme novo de Steven Spielberg, Cavalo de Guerra, ou O Último Dançarino de Mao, do australiano Bruce Beresford, aquele de Conduzindo Miss Daisy, que foi lindo. Se bobear, dou uma escapada, logo mais, para rir com as bobagens de Roubo nas Alturas, não sei de quem.  Melhor ainda, vou decidindo no ócio da tarde que se instala… Só falta acender a lareira… Belo começo de ano!

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Sem tribo?


*Por Ilustre Desconhecido

O paraíso na fronteira entre Espírito Santo e Bahia

Foto Katia Dias - Cumuruxatiba - BA/ES - Brasil - 2009

  Tenho ouvido com frequência expressões de insatisfação de pessoas que acreditam não pertencer a qualquer “tribo”. Eu mesmo, várias vezes, expressei genuinamente esse sentimento em inúmeras ocasiões com pessoas que também assim se sentiam. Talvez a intimidade com esse sentir e a surpresa em descobri-lo muito mais frequente entre as pessoas do que imaginava tenham me levado a refletir mais detidamente sobre o assunto.

O que sobreveio dessas reflexões foi a compreensão de que parece haver uma espécie de miopia acometendo pelo menos algumas dessas pessoas – quase sempre altamente inteligentes e articuladas. A queixa costuma ser a concepção de si próprio como alguém isolado numa comunidade que, a princípio, não parece partilhar dos mesmos valores. Olha-se o outro como fundamentalmente diferente de si e, com bastante frequência, a partir de uma posição de superioridade, seja intelectual ou outra qualquer.

Não quero aqui acusar as pessoas que guardam consigo um sentimento de inadequação ou desajustamento (palavra carregada, mas para a qual não consegui substituta) de se sentirem superiores. Acho que muita especulação poderia ser feita com respeito a uma possível relação entre esses sentimentos, mas não tenho essa intenção aqui. De qualquer modo, quando sugiro que possa haver uma certa miopia com relação à situação é devido a um fato muito comum: essas pessoas costumam estar de algum modo associadas, muitas vezes são amigas e conhecem outras pessoas que também partilham do mesmo sentimento.

Então sobrevém a pergunta: porque essas pessoas se sentem assim? Certamente existem inúmeros motivos que expliquem esse sentir, mas gostaria de sugerir que se reflita sobre a inevitabilidade de uma justificativa para isso. Penso, em primeiro lugar, que o desejo de fazer parte de uma “tribo” é tão visceral no ser humano como a expressão de uma certa ingenuidade. Mais uma vez, muita especulação pode – e costuma – ser feita sobre o papel e a importância de nossos “instintos sociais”. Mas a experiência parece demonstrar que é ilusório sentir-se seguro por estar abrigado sob o manto de um suposto consenso.

Dessa forma, gostaria de deixar como alvo de reflexão o seguinte pensamento:

Considerando que nosso sentido de identidade não é uma realidade “natural” e imutável, mas sim uma construção sobre a qual temos amplo poder, creio que todos deveríamos nos compreender como membros de uma grande e única “tribo”: o gênero humano. Como decorrência dessa compreensão, possivelmente ficará mais fácil abrirmos nossos olhos e enxergarmos para além dos sinais distintivos das supostas diferenças essenciais que muitos de nós creem vincular esse ou aquele indivíduo, incluindo nós mesmos, a essa ou aquela “tribo”, frequentemente interpretando essas já interpretadas diferenças como motivo de hostilidade e oposição a priori.

Antes de finalizar esse texto, gostaria de fazer uma sugestão bem mais direta e prática para todos nós que nos sentimos “sem tribo”:

Convidemos todas as pessoas que se sentem como nós para tomar uma cerveja, dar uma passada na sua casa e tomar um café, ou simplesmente pegar um cinema e dar uma caminhada depois. Se possível, com algum decoro, perguntemos a elas sobre o que pensam, o que sentem e sobre o que e quem lhes importa. Talvez seja possível descobrirmos que há mais em comum entre nós do que este sentimento tão triste e desnecessário de estarmos sozinhos em um mundo onde o que não falta é gente como a gente.

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Se você é daqueles que ainda se espanta ao encontrar um tempo absolutamente londrino em Juiz de Fora, com direito a fog, temperaturas entre 15 e 19 graus e tudo o mais que você já conhece, em pleno verão tropical, mas  ainda assim segue em frente, não fique triste não… Essa terra de nuvens baixas, escuras e ventos frios traz um arco-íris de possibilidades a partir de 14 de março, segunda-feira (tá pertinho…).  Para dar um ânimo a essas alminhas que se encolhem diante da palavra JF e da expressão Volta às Aulas, aí vai uma notícia muito legal.

Dia 14, segunda-feira, começam as inscrições de um curso sobre Soundpaiting, uma linguagem que o compositor novaiorquino Walter Thompson criou nos anos 80 e ainda dá o que falar… Ele vai vir à cidade numa espécie de boas-vindas que a Procult, o IAD e o curso de Música da UFJF prepararam para os alunos de música, artes e para as pessoinhas sensíveis em geral, que amam essas coisas criativas… Então, confere aí do que se trata e participa, ok? Bata o tambor do seu coração e ilumine a alma seguindo os sinais…  Improviso renovado é aqui:

http://www.youblisher.com/p/102760-A-linguagem-que-vem-do-coracao/

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2010 in review


The stats helper monkeys at WordPress.com mulled over how this blog did in 2010, and here’s a high level summary of its overall blog health:

Healthy blog!

The Blog-Health-o-Meter™ reads This blog is on fire!.

Crunchy numbers

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A Boeing 747-400 passenger jet can hold 416 passengers. This blog was viewed about 3,300 times in 2010. That’s about 8 full 747s.

In 2010, there were 17 new posts, not bad for the first year! There were 122 pictures uploaded, taking up a total of 47mb. That’s about 2 pictures per week.

The busiest day of the year was February 17th with 76 views. The most popular post that day was Entre erros e acertos.

Attractions in 2010

These are the posts and pages that got the most views in 2010.

1

Entre erros e acertos January 2010
3 comments

2

Uma questão de laços… January 2010
18 comments

3

Asas da amizade February 2010
3 comments

4

Por trás do espelho January 2010
11 comments

5

Bela aldeia March 2010

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Por incrível que pareça, o simples ato de caminhar todos os dias tem me colocado um passo à frente de mim mesma. Novos atalhos para a felicidade se descortinam de forma inesperada, a partir de um olhar que se renova em uma percepção mais aguçada de tudo e de todos ao meu redor. É como se um véu fosse retirado da vista e uma janela diferente se abrisse para ver, de fato, o que antes estava ali, mas não era observado.

Foi assim que me deparei com um grupo de indivíduos muito especiais, que mora na área preservada da Mata do Krambeck, hoje o Jardim Botânico da UFJF, um oásis verde às margens do Paraibuna, rio que serpenteia por Juiz de Fora teimando em exibir suas águas barrentas. Vez por outra, tal como eu, esse grupo escolhe deixar seu refúgio para conhecer novas paragens. E o encontro com forasteiros acontece.

A princípio eram só manchas marrons camufladas na beira do rio. Depois, foram ganhando contorno até se revelarem capivaras adultas a cuidar da prole com o carinho de famílias humanas preocupadas em manter atados os laços da união em uma sociedade que pena com a desagregação. Foi lindo de se observar. Com olhos para enxergar um pouco além, vi ali uma grande lição.


Paradas nas margens do Paraibuna, estavam 13 criaturas, contemplando as águas que pareciam profundas demais para serem desafiadas. Vez por outra, uma se aventurava a mergulhar o focinho e voltava lenta, como se fosse um grande esforço desistir da façanha. Busquei a máquina fotográfica para capturar aquele momento, mas me vi desprevenida e pensando se alguém iria acreditar no meu relato.

Voltei para casa com um riso silencioso na alma. Havia ganhado o dia. Contei para todo mundo de forma tão entusiasmada que meu bom amigo Renato Dias, escritor e jornalista querido por todos, acabou me presenteando com uma foto da cena. Um conhecido dele registrou o mesmo quadro que me comoveu, e ele, gentilmente, enviou a foto para mim. Uma perfeita sintonia de interesses!

Senhoras e senhores, apresento aqui uma das muitas famílias de capivaras que vivem bem no coração de Juiz de Fora, se regalando com o capim que cresce na beira do rio, sempre que o sol aparece. Uma prova e tanto de que a Mata do Krambeck deve ser conservada. E fico muito feliz em saber que a Universidade Federal de Juiz de Fora pode abraçar essa bela causa, que eu defendo de corpo e alma. Viva!

Ao alto, fotos de Katia Dias – Rio Paraibuna – 2010 e, acima, foto das Capivaras via Renato Dias/ Divulgação

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