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Archive for the ‘Um passo à frente’ Category


Um dos problemas daqueles que veem o hodômetro passar dos 50 é que as exigências que a vida traz não podem mais ser postergadas. Assim é com o perdão, as paixões, os afetos e, é claro, os exercícios… Ah, os abençoados exercícios! E assim, o que antes era um prazer, um hobby ou mesmo um esporte, passa a ser obrigação, remédio do tipo que a gente tapa o nariz e engole, em nome da saúde e da boa forma.

Resolvi encarar as caminhadas diárias como questão de vida ou morte, e, por isso mesmo, assunto emergencial. Prioridade máxima! Faça chuva ou faça sol, lá estou eu, de tênis e roupa folgadinha, acelerando o passo ao ritmo de um mantra que eu mesma criei: “Eu posso, eu quero, eu consigo!”. Sei lá pra que isso serve, mas tem dado certo, e minhas manhãs têm aparentado uma nova luz, que pode muito bem ter vindo do propósito de conquistar o bem-estar.

Todo dia a ferrugem acumulada pelos anos de sedentarismo se desgruda um pouquinho do corpo e a mente acaba ficando mais leve, junto com o espírito que parece pronto pra voar. Não emagreci, não fiquei mais isso ou menos aquilo, mas estou muuuuuuuuuuuuito bem-humorada. Não tem coisa melhor que redescobrir o potencial físico em sintonia com um emocional melhor preparado pra enfrentar a vida.

Parece que agora o cheiro do vento chega antes que as árvores sacudam as folhas e isso é um presente excepcional da natureza para quem resolve se regalar com um olhar generoso sobre o caminho escolhido. Em geral, às sete da manhã já estou dando voltas pelo lago da Universidade Federal de Juiz de Fora, obra prima da sensibilidade do meu velho professor de História da Arte, Arthur Arcuri, autor do projeto original do Campus, que vi ser implantado, passo a passo.

Andar na passarela em volta da antiga Biblioteca Central traz uma emoção especial. Há muitos projetos em desenvolvimento lá e a visão das obras nos dá uma ideia promissora de futuro. E nunca vi as plantas tão exuberantes, dando a impressão de plenitude, felicidade mesmo. Acho que, de alguma forma, elas sentem a presença dos estudantes, dos funcionários e professores que se misturam aos caminhantes, numa espécie de abraço à comunidade.

Fazer meus exercícios no Campus, assim como minhas orações e meditações, tem sido de muita valia pra mim. Traz à tona lembranças de um tempo conturbado, nos anos 70, de rebeldia e movimentação estudantil, mas traz também uma certeza de que tudo que se faz com dedicação, confiando plenamente, vale a pena e floresce em agradecimento.

As plantinhas em torno do lago e ao redor dos institutos que o digam. Já as vi tristes e impotentes, depois de incendiadas nos anos 90; enxerguei os esforços dos jardineiros para recuperá-las, e, hoje, são um espetáculo inspirador para quem tem uma percepção mais aberta e bem sintonizada. Resumindo, andar por ali faz a gente encarar os exercícios como um prazer que parecia perdido e que pode muito bem ser visto como um privilégio, um delicioso brinde à saúde do corpo e da mente!

(Fotos Katia Dias – Campus UFJF – Minas Gerais – Brasil – 2010)

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